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Por que Argentina?

  • Foto do escritor: Fernanda Heringer
    Fernanda Heringer
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

A primeira vez que fiz uma viagem internacional foi para Bariloche. Eu tinha 19 anos e meu pai tinha muitas milhas para expirar, ele viajava muito a trabalho e acumulava mais milhas do que conseguia gastar. Ele me perguntou se eu queria usar e eu pensei: “por que não?”. Comprei uma passagem para dali a um ano para o primeiro lugar que me veio à cabeça: Argentina.


Foi a partir daí que comecei a amar traçar roteiros, pesquisar sobre locais e querer me aventurar por aí. Comprei um mochilão porque na minha cabeça era o início da uma vida de mochileira e pesquisei o que fazer no país.


Isso já tem mais de 15 anos e na época as minhas melhores (e talvez umas das únicas) fontes de consulta eram um guia de viagens, em papel mesmo, e o site dos Mochileiros. Como estava viajando (até então), sozinha e saindo do país pela primeira vez, procurei pelo lugar que mais me atraiu e o mais acessível em termos de informações, principalmente na temporada de inverno: Bariloche.


Durante os preparativos e pesquisas para a viagem a minha mãe resolveu que ia comigo. Como ela ia deixar a filha dela (que diga-se de passagem, já gostava de uns rolês mais perrengue) ir para outro país em uma época que não tinha smartphone e  que, com certeza, não ia comprar chip nenhum porque a ordem do dia era economizar?


Depois de um ano organizando, chegamos em Bariloche em pleno inverno. Foi paixão à primeira vista! Nem me atrevi a esquiar, era caro e cada centavinho que eu tinha juntado para aquela viagem seriam devidamente utilizados para comer a comida que a gente cozinhava no hostel, andar de transporte público e pagar minha cama em um quarto compartilhado, além de comprar a minha primeira bota de trekking.

Cordilheira nevada sob céu azul, com vales escuros e lagos ao fundo; paisagem ampla e serena.
Vista panorâmica do Cerro Otto

Mas não importava, as paisagens eram cênicas, as montanhas cobertas de neve e o lago Nahuel Huapi (Nahu para os íntimos) parecia um mar, de tão imenso que é. E, assim como hoje em dia, apesar de pesquisar bastante antes de ir para os lugares, meu roteiro é sempre bem aberto e vejo no dia o que eu quero fazer. Minha mãe é a mesma coisa e foi aí que fomos na rodoviária ver o que tinha de perto e resolvemos ir para Villa la Angostura, nunca nem tinha escutado falar nessa cidade.


Pegamos um ônibus e, chegando lá, alugamos uma bicicleta para explorar a cidade. Até hoje eu uso a mesma expressão para descrever aquele lugar: uma cena da Disney no inverno. As casinhas com neve caindo da ponta do telhado, o chão cheio de neve... mágico! Infelizmente não tenho fotos de lá, eu tinha que descarregar o meu cartão de memória todos os dias no computador do hostel e me enviar por e-mail, justamente nesse dia deu um erro no e-mail que eu só vi quando cheguei em casa.


Quando voltei para o Brasil só tinha certeza de uma coisa: ainda ia voltar lá. Entretanto, os caminhos me levaram para lugares mais longes, intercalado com alguns períodos de vacas magras e a pandemia.  Uns três anos atrás que finalmente consegui voltar para Bariloche. Quando voltei para lá algo dentro de mim me relembrou dos meus sonhos e expectativas e a partir daí voltei a usar cada possibilidade de tempo e financeira para voltar a rever lugares que tanto gosto e explorar lugares que me cativam.


Ainda virão muitas postagens sobre viagens, trilhas e, também, sobre a Argentina, mas as pessoas mais próximas a mim sabem o quanto gosto daquele país e está aí o motivo.

 
 
 

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